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domingo, 12 de setembro de 2010

Eleitores de Marina Silva, 43

Temos apenas 3 semanas até as eleições, e o cenário atual é deprimentemente frustrante. Não conseguiremos mudá-lo apenas assistindo o processo "natural" acontecer. Temos duas opções:
1) Assistirmos passivamente para ver se o Lula elege a Dilma em 1° turno, ou se a globo coloca o Serra no 2° turno;
2) Tentarmos fazer algo a respeito na perspectiva de causar alguma alteração no cenário atual e levar Marina ao 2° turno.

O grande problema dessa eleição é que os brasileiros, em maioria, estão tratando-a como uma disputa Lula x FHC, onde, entre o mais-ou-menos e o ruim, o mais-ou-menos ganha. Ora, vejamos. O Serra não é o FHC; e tem uma lábia que me impressiona mais a cada dia, com uma oratória excelente, e consegue iludir qualquer interlocutor que restrinja sua opinião e intenção de voto ao que vê na TV - minha avó que o diga. A Dilma não é o Lula; e acredito muito pouco em seu pseudo-propósito populista em prol do social - pra mim ela é um tucano disfarçado atrás de um urso, em uma floresta cheia de pseudo-árvores e galhos sem estabilidade.

Mas temos mesmo que escolher entre o marrom e o preto? E o verde, da esperança, vai pro ralo? Vai embora juntamente com o verde da bandeira nacional? Vivíamos reclamando da falta de opções em nosso cenário político, e quando de repente uma candidata honesta, íntegra, ética, imparcial, visionária - e mais 500 outros adjetivos que eu poderia citar - aparece, apenas a ignoramos? Marina existe e está aí, uma luz no fim do túnel, uma possibilidade supostamente utópica, mas existente.

Por que o povo não lembra dela? Todos sabemos que a maior parte de seus eleitores são estudantes universitários e a classe média-alta. Por que será, então, que a massa populacional em geral, sequer, cogita ela como uma possibilidade? Considero que seja falta de informação, aliada ao analfabetismo funcional que gera essa má leitura da situação política atual, resultando no cenário de interpretação descrito anteriormente.

Mas falta de informação se resolve, e não vai ser com ajuda da globo entretenimentos. Podemos, nós mesmos, investir nosso tempo em prol do que acreditamos. Quando eu falo em fazer algo a respeito da candidatura da Marina, não me refiro a sair pelas ruas ostentando bandeiras, colar adesivos, colocar "Marina 43" no subnick do MSN. Não precisamos de politicagem, não precisamos "pedir votos". Falo de medidas sustentáveis e efetivas.

Por que será que alguns de nossos amigos, universitários ou não, de classe média-alta ou não, nem cogitam Marina como uma possibilidade? Que tal investirmos um pouco do nosso tempo em conversas, diálogos, levar um pouco da informação que temos às pessoas que julgarmos capazes de entender a complexidade simples que temos a analisar? Assim, investindo em mentes, podemos conseguir novos agentes em prol da Marina, que podem também se sentir motivados a transformar novas mentes nessa perspectiva, e em árvore teríamos uma chance razoável de conseguir alguma mudança.



Cartazes, frases, essa mídia simplista não ajuda muito no caso da Marina. O que precisamos levar pras pessoas é sua biografia pessoal, seu histórico político, suas ideias e propostas de mudanças. Vocês verão que nenhum cidadão de bom senso e com um mínimo de discernimento e flexibilidade analítica se recusará a amadurecer essa possibilidade. E assim talvez possamos também minimizar o efeito dessa ideia de "eu votaria nela, mas..", daqueles que estão se rendendo às circunstâncias atuais, achando que estariam desperdiçando seu voto e dando chances ao Serra de ir ao 2° turno.

Pensemos a respeito. Ainda há tempo. Ainda vejo uma lámpada no fim do túnel, com seu filamento apenas esperando energia para acender, virar luz e ascender.

Atenciosamente,

sábado, 11 de setembro de 2010

O flerte do PV com Marina Silva

Por sua biografia, prestígio internacional, coerência de ideias, coragem, Marina Silva poderia escolher qualquer partido, especialmente se estiver mais à esquerda, onde vem se situando antes mesmo dos primeiros passos eleitorais dados no Acre, para criar sua base de atuação. Contudo, não cogitou ainda de transferir-se do PT, o Partido dos Trabalhadores, onde ingressou depois de, primeiro, militar na CUT como líder seringalista do grupo do já lendário Chico Mendes, para qualquer outra gremiação.

Isto não significa que as legendas não estejam cobiçando a líder ambientalista.. O Partido Verde (PV) saiu na frente, quer Marina para ser sua candidata a Presidente da República e está se adiantando porque, nas avaliações que fez, considera pífio o apoio que o PT dá a ela, às suas teses, a seu trabalho. O PT e, mais que ele, o governo Luiz Inácio Lula da Silva inteiro, do qual Marina foi a ministra do Meio Ambiente do primeiro mandato e do início do segundo.

O PV tem uma avaliação pior da relação da senadora com o PT e o governo do que ela própria. Olhando de fora, avalia o Partido Verde que ela não conseguiu espaço no PT, tem sido motivo de ironias por suas posições consideradas radicais, não tem interlocutor para estabelecer o diálogo, não é vista como símbolo, o ícone que realmente é.

A ex-ministra não parece descortinar cenário tão negativo nas suas relações com o partido. Objeções que fez à MP 458, da regularização fundiária, foram seguidas por quase todos os senadores petistas, com exceção de apenas um. Isto a acalenta e dá combustível partidário. Mas quem tem razão é o PV, é realmente pouco.

Na verdade, Marina Silva coleciona derrotas nas lutas que enfrenta pelo Meio Ambiente, tantas quantos são os prêmios nacionais e internacionais com que é agraciada mundo afora. Hoje mesmo está na Noruega para receber troféu e US$ 100 mil do prêmio "Sofia 2009", da Fundação Sophie, "por sua coragem, criatividade, habilidade de fazer alianças e sobretudo pelos resultados alcançados na luta pela preservação da Amazônia". Este é o quarto prêmio internacional que recebe depois que deixou o governo e voltou ao Senado, há um ano: do príncipe Philip da Inglaterra, ganhou a medalha Duque de Edimburgo, em reconhecimento a sua luta em defesa da Amazônia brasileira (o mais importante concedido pela WWF); recebeu, também, o "World Rainforest Award", concedido pela Rainforest Action Network (RAN) como reconhecimento por seu compromisso de proteger a floresta tropical; e o XIV Premio N'Aitun 2009, destinado a pessoas e instituições que se destacam na defesa do meio ambiente.

A senadora venceu outros dez prêmios internacionais, ganhou dezenas de prêmios e medalhas nacionais e já foi escolhida, pelo jornal britânico 'The Guardian', em 2007, uma das 50 pessoas em condições de ajudar a salvar o planeta. As derrotas, porém, têm igual calibre. Marina, em entrevista à revista 'Época', neste fim de semana, disse, sobre a ministra Dilma Rousseff, a mais poderosa integrante do governo e candidata à sucessão do presidente Lula, que a chefe da Casa Civil não tem uma visão de sustentabilidade ambiental igual à sua. "Ela ainda tem uma relação muito forte com a visão tradicional e antiga de desenvolvimento". A senadora criticou também o governo como um todo, sem isentar o Presidente Lula. Disse que a MP 458 foi a pior iniciativa do governo até hoje, praticamente atribuindo à medida a frustração de "30 anos de luta para evitar que a Amazônia virasse uma terra sem lei". Sobraram farpas também para o ministro das estratégias, Mangabeira Unger.

No governo, Marina perdeu o Plano Amazônia Sustentável para o ministro Mangabeira Unger (uma das gotas d'água para sua saída do Ministério, a outra foi Lula ter afrouxado o pacote ambiental que previa restrição de crédito rural e recadastramento fundiário nos 36 municípios campeões de desmatamento); foi voto único e vencido contra a retomada das obras de Angra 3; foi derrotada na liberação comercial dos transgênicos para o ex-ministro da agricultura, Roberto Rodrigues; assistiu à ministra Dilma Rousseff atropelar o licenciamento do rio Madeira.

Desde a volta ao Senado coleciona derrotas parlamentares: da MP 458, de regularização fundiária, à criação do Ministério da Pesca com a usurpação de poderes do Ibama sobre fiscalização e licenciamentos; da taxa de compensação ambiental sobre valor de obras, ao código florestal que pode, realmente, vir a ser uma das maiores derrotas dos ambientalistas para os ruralistas. A senadora concorda que a questão ambiental é períférica para governo, para empresas e vários setores da sociedade, mas suas ideias têm adesão no seu partido. A desproporção, porém, é evidente vista de fora.

O Partido Verde já teve com ela duas ou três conversas objetivas, bem inseridas no jogo da sedução, mas Marina não deu qualquer sinal de que é possível transferir-se, no momento, para uma agremiação que trate suas preocupações como o centro do mundo. O PV aponta, para Marina, uma candidatura ao que ela quiser, Senado, Câmara, Governo, mas o que gostaria mesmo o Partido Verde é tê-la como candidata a Presidente da República, ficando Fernando Gabeira como candidato a Senador, por este caminho, agregar votos para a estruturação do partido.

Já existe um blog dos partidários desta postulação que a ex-ministra atribui, modestamente, a "coisa de estudantes". Segundo análises preliminares, Marina teria uma votação maior do que a possível, hoje, para a ex-senadora Heloisa Helena, por exemplo, que está, inclusive, perdendo o eleitorado do funcionalismo público, novamente reconciliado com Lula. Marina Silva teria espaço garantido na classe média, onde o PV se vê, também, com base sólida. E poderia iniciar sua trajetória com 8% a 9% dos votos, reunidos pelo seu carisma e suavidade, atributos que são seus mais do que de outros bem sucedidos candidatos.

Rosângela Bittar é chefe da Redação, em Brasília. Escreve às quartas-feiras
E-mail rosangela.bittar@valor.com.br

Motivos para Marina ser Presidente:
1. Compreensão da sustentabilidade.

2. Reconhecimento internacional em um contexto de profunda crise ambiental.

3. Capacidade de promover a consciência ética com seu exemplo de integridade.

4. Compromisso com a Educação e com as presentes e futuras gerações

5. Autenticidade do feminino na política.

6. Experiência no poder legislativo e de gestão no executivo.

7. Trajetória política exemplar e amplamente reconhecida, sendo motivo de orgulho do povo brasileiro.

8. Integra senso de conciliação com clara postura política.

9. Liderança histórica nos movimentos sociais.

10. Presença respeitada na opinião pública brasileira.

11. Exemplo de integração da praxis política, social, ambiental, educacional e espiritual.

12. Capacidade de debater com qualidade, não fugindo aos mesmos na defesa de seus ideais.

13. Por ser desprendida das ambições de poder (seu objetivo, por hora, é ser professora, para isso está concluindo um mestrado em pedagogia)

quarta-feira, 28 de julho de 2010

De Sucre a Potosí, rumo a Uyuni

O voo foi bem tranquilo e só então pude observar o território ultraacidentado boliviano. Quaisquer 1Km² planos lá é um achado.
Embora a aeronave da Aerosur fosse feia e não tão estruturada quanto a da Gol, o lanche superava o da Gol em anos-luz; qualquer cholla na rua vendendo pollo con papas pode superar o lanchinho da Gol, convenhamos. Aterrisamos em Sucre, pegamos nossos equipajes y mochillas e fomos rumo à primeira pechinchada: o taxi para a rodoviária. Queixa um, queixa dois, e o terceiro nos fez pelo preço que queríamos. É impressionante como taxi lá é uma coisa barata, consequência de sua gasolina a aproximados e custosos R$ 1,03 o litro. Fui observando a cidade, que era nossa primeira impressão em terra da Bolívia. Eles também têm ruas, semáforos e propaganda da coca-cola everywhere (atenção ao preço, abaixo: coca de 600mL por 2,50 bols - equivalente a 63 centavos de real). Destaque para as praças, que são elegantemente decoradas com muitas variedades de plantas e flores. Lindonas, idênticas às de Fortaleza ^^. Logo chegamos à rodoviária, mas antes mesmo de sair do táxi já havia algumas pessoas nos abordando com o monótono "Potosí?", "Potosí?". Se Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé. Lá, eles não esperam você ir à agência comprar as passagens. Eles saem à rua em uma espécie de leilão e te prometem mundos e fundos para conseguir vender suas passagens. Ofertaram-nos também uma possibilidade de ir de carro a Potosí, por um preço um pouco maior. Achei tudo muito estranho e não estava a fim de dar muita confiança aos vendedores na rua. Fomos à rodoviária e, após passar em duas agências, pechinchamos na terceira e compramos nossas passagens para Potosí. Tínhamos 1 hora para circular pelo local, comer e descansar. Logo percebi algo peculiar: a vestimenta das senhoras. Mais tarde, eu ficaria sabendo que aquelas eram as famosas Chollas, como são conhecidas internacionalmente. As Chollas são as senhoras locais, que geralmente vendem "guloseimas" e outras coisas na rua. Todas se vestem igual, usando um modelito estilo inverno composto de uma meia estilo jogador de futebol, uma sandália ou chinelo por cima, um saiote até o joelho (geralmente xadrez), um poncho cobrindo a blusa de frio, duas tranças gigantes em seus formosos cabelos, cobertos por um chapéu, sem esquecer de sua bolsa nas costas (um pano que elas amarram em um formato de mochilla e prendem nas costas para carregar qualquer coisa - leia-se qualquer coisa, inclusive crianças.


Segundo desafio
: comer na Bolívia. Nada pesquisara eu sobre a culinária boliviana, e tanto receio tinha que levei comigo um kit salva-vidas básico (miojos, leite em pó, club-sociais, PTS etc.), na esperança de que me seria útil em um eventual despreparo local para minha alimentação ovo-lacto-vegetariana. Fomos a um restaurante anexo ao terminal. Um estilo bem.. diferente. Um balcão colorido, uma estufa com pedaços enormes de frango e de batatas, com direito a muito óleo. Era o tradicional petisco "pollo con papas". Não demorou muito para eu descobrir que os bolivianos não têm o costume de secar o óleo dos alimentos que fritam. Do jeito que tiram do óleo, vendem-no! Por isso são tão gordinhos! E as meninas, cheias de 'culotes' ;P. Olhei para a placa, e mais uma palavra para meu vocabulário español: almuerzo. Janta eu já sabia, das lições. Vendo a situação do restaurante, eu obviamente não perguntaria se eles teriam opções para vegetarianos. "Señor, yo no como carne, entónces poderias cambiar la carne de mi almuerzo por huevos y papas?". Foi papa! Digo, foi batata! Ele me entendeu, e 15 minutos mais tarde vinha mi premero almuerzo en Bolívia. Tirando o fio de cabelo tradicional, tava muy gostoso.

Terminamos de comer, e Felipe comentou que Sucre era
internacionalmente conhecida por seus chocolates. Na rodoviária havia várias lojas de chocolates, e fomos tentar pechinchar. Vários tamanhos, formatos e sabores. Acabamos por não comprar nada, tendo em mente que ainda teríamos 20 dias de viagem e os chocolates para presente não resistiriam a tanto; seríamos obrigados a comê-los antes que derretessem. Nosso autobus chegou e nele entramos. A viagem foi tranquila, e a estrada era bem boa! Muitas paisagens bacanas. Fiquei toda a viagem observando e tirando fotos.

Após umas 4 horas de viagem, chegamos a Potosí. Tínhamos que correr para comprar a passagem para Uyuni, de um ônibus que, conforme pesquisado, sairia dentro de alguns minutos. Perguntávamos onde ficava a rodoviária, e cada um dizia uma coisa diferente. Depois de umas 4 abordagens, perguntei a um senhor que passava na rua, e ele, gentilmente, ligou para alguém que foi nos buscar, de táxi, para levar-nos a uma agência que fazia viagens para Uyuni. Logo percebemos que se tratava de sua própria agência ^^. Compramos nossos bilhetes e tínhamos ainda alguns minutos para a partida. Na agência havia um garoto inglês. Animado para praticar meu inglês britânico, pus-me a conversar com ele. Fail. Não lembro de que região ele era, mas seu inglês era tão rápido e enrolado que eu entendia 50% do que ele falava. Havia alguns pontos turísticos na cidade a conhecer, mas não tínhamos tempo. Só mesmo podíamos ver el mirador, lá longe. Fui sacar umas fotos, e uma cholla me alertou que a cidade era muito violenta; que eu deveria tomar cuidado com minha câmera e com minhas mochillas. O mirador nem era assim tão bonito mesmo ;P. Meu amigo queria ir ao banheiro, e fui acompanhá-lo.

Lá, há muitos baños públicos. Definição geral: um cubículo imundo e fétido que muitas vezes você se vê obrigado a usar e ainda tem que pagar por isso, para manter os padrões de qualidade do estabelecimento. Minha primeira experiência foi no de Potosí. Um terror. Imagina um espaço de 10m² dividido entre cabines masculinas de um lado, femininas do outro e um corredor no meio, separando-as. As cabines têm cerca de 1,6m de altura; isto é, se você é mais alto que isso, pode, sem muito esforço, estabelecer contato visual com os inquilinos momentâneos da cabine, ao passar pelo corredor. Do lado esquerdo, com homens, e do lado direito, com mulheres. Se você não for tão alto, há ainda a opção de aproveitar a brexa entre a parede e a porta, uma vez que esta não encosta completamente - há um espaço de quase 1cm de largura a ser explorado. O odor de cada cabine se mistura ao centro e vc, ao esperar por sua vez, pode desfrutar de uma mistura de odores (ácido úrico, enxofre etc.) e sensações (nojo, ânsia de vômito e muito mais). Não há descarga nos compartimentos, então vc tem que pegar a canequinha e buscar água em um tambor, no corredor. Ah! Logo ao pagar, vc recebe um pedaço de papel higiênico de uns 30cm. Esbanje-o e faça bom uso. :) Eu já tinha pagado, mas minha vontade de urinar passou. Deixaria pra fazê-lo no ônibus.

Logo chegou nosso autobus. Bem tosco e sem baño. Meus amigos estavam sonolentos e dormiram durante quase toda a viagem. Sorte deles. Eu, que geralmente não tenho sono antes das 2h da manhã, fui apreciando a viagem. Nunca estivera em estrada tão perigosa. Montanha de um lado, abismo do outro. Sem cercas de proteção nem nada. Largura para um automóvel. Quando vem um de cada lado, um tem que subir um pouco o pé da montanha para dar espaço ao outro, que passa um fino de cair. Luz na estrada é utopia. Sinalização, nenhuma. Ao menos na estrada de Santa Cruz para Sucre há cruzes, dizem. Nesta, nem isso. Nessa hora concluí que não era à toa que as companhias só faziam essa viagem à noite. Imagina a galera acordada, vendo a estrada. Meu assento era justo do lado do abismo. Confesso que fui a viagem toda com medo. Qualquer mínimo descuido do motorista resultaria em adeus instantâneo de todos ali dentro. A cada curva, um suspiro. Foi a viagem mais trash que já fiz. Minha bexiga, a essa altura, estava tão dilatada quanto podia, e eu não aguentaria mais nem 5 minutos. Logo que o ônibus desceu a montanha, e eu vi planície, era hora de pedir ao motorista para dar uma parada, para que eu pudesse urinar. Esse verbo não fazia, ainda, parte do meu vocabulário. Tinha um dicionário dentro do meu bolso, mas as luzes do ônibus estavam completamente apagadas. A lua cheia não fazia tanto efeito. Peguei meu celular, para iluminá-lo, e vi que a bateria estava descarregada. Ligando-o, ele demoraria uns 5 segundos para desligar automaticamente. Eu tinha que ser rápido no dicionário. Depois da terceira tentativa, consegui ver. Fiquei frustrado ao ver que urinar = orinar. Tão previsível! Comecei então a trilha que ia do meu assento até a cabine do motorista, composta de muitos obstáculos no corredor (mochillas, colchões, pernas atravessando, niños dormindo etc.). Formulei uma frase breve e eles pararam. Meu menino quase congela, de tanto frio. Mas subi de volta ao ônibus feliz e satisfeito, com outra cara. Logo chegamos a um vilarejo onde havia uma bodega, em que o ônibus parou para que pudéssemos comer. Não entendi bem que tipo de refeição era aquela, quase meia-noite, mas pedimos uns comesitos. Diliça!

Mais algumas horas, e chegamos a Uyuni. Apenas uma sensação: frio. Extremo. Eu só tinha um pensamento em mente: encontrar qualquer local para me esconder do frio. Não tínhamos reservado nada, mas logo de cara vimos vários, na mesma quadra. Fomos ao mais próximo, batemos e entramos. Já conseguia até respirar, passado o frio congelante outside. Era um negócio bem desajeitado e amontoado, não curti muito, mas àquela hora da madrugada, com aquele frio, eu não tinha mais coragem alguma de ir procurar outro local. Conseguimos um desconto e ficamos por lá mesmo. Hora do baño, afinal já fazia mais de 24h que não tomávamos uma ducha. Tínham-nos prometido ducha caliente, mas caliente mesmo só a gatinha do ônibus. Brinks, as bolivianas são dragões personificados. Adiei. Minha cama parecia uma rede, naquele formato em U. Olhei para aqueles lencóis e cobertores com tanto desprezo, que não tive coragem de usá-los. Peguei meu lençol fininho mesmo, e passei frio a noite toda. Foi show!

Noite fria. Bem fria. Acordei com aquela sensação de que nada dormido tinha. Fiquei muito contente ao saber que o problema da água caliente era só à noite, e que pela manhã já era possível tomar uma ducha caliente. Foi su-ces-so! Lá a ducha era em um compartimento, e o baño em outro. A ducha era até limpinha, já o baño era imundinho, mas frequentável. Entretanto, as opiniões divergem. Clique sobre a imagem ao lado, da porta do banheiro, e tire suas conclusões ^^.

Tudo pronto, agora era hora de irmos atrás da nossa trilha rumo ao Salar de Uyuni.

sábado, 24 de julho de 2010

Llegando a Santa Cruz de la Sierra

No aero de Fortaleza, conheci o Andrei. Embarcamos no nosso voo e foi tudo tranquilo. Chegamos a São Paulo à noite, e logo na passagem para a conexão avistamos nosso amigo Felipe, facilmente reconhecível por seu nariz peculiar. Trocamos beijos e carícias, e juntamo-nos a explorar o Duty Free - aquela lojinha dentro do aero que vende de tudo por um bom preço (pra gringos) pela qual vc é praticamente obrigado a passar; mesmo sabendo que não compraríamos PN, perguntávamos o preço de tudo, e eu, lembrando que não tinha passado perfume, aproveitei os refis e passei discretamente nos braços e pescoço a fragância de que mais gostei. Logo embarcamos no nosso voo para Santa Cruz; era hora de cruzar a fronteira aérea Boliviana.

A Bolívia tem uma área territorial aproximada à do Estado do Amazonas, no Brasil; isto é, não é tão pequena assim. Dados estatísticos apontam que 1/3 da população de todo o país concentra-se em apenas três cidades: La Paz, Sucre e Santa Cruz de la Sierra. Em alguns lugares do mundo, ensina-se no colégio que sua capital é La Paz, embora La Paz seja apenas a capital administrativa. Os bolivianos fazem questão de enfatizar que sua capital é, na realidade, Sucre, que é a capital Constitucional e Judicial. Santa Cruz de la Sierra é a cidade mais populosa do país, com um pouco menos de 2 milhões de habitantes - isto é, menor que Fortaleza.

Logo que chegamos ao aero, tínhamos que passar pela imigração. Certo de que meu cartão de vacinação seria exigido, saquei-o prontamente. Que nada; fiquei com uma sensação de que tomara duas agulhadas de graça. Começou então o desafio do espanhol. Antes de viajar, eu estudara um pouco. Un poquito, como já dizia o amigo Rodrigo Solano, do Aprendiz 2010. Já sabia falar no presente e no passado; com alguns verbos, claro. Não foi preciso tanto. Poucas palavras e, ao perceberem que éramos brasileiros, senti uma certa redução de burocracia. Já estávamos com nosso carimbo de entrada na Bolívia; e o coitado do Felipe, que até passaporte tinha tirado, nem pra tê-lo carimbado - muito esperto, despachara-o junto com sua mochila.

Nosso primeiro objetivo era fazer a trilha do Salar de Uyuni. A trilha se inicia na cidade de Uyuni, no Departamento de Potosí. Para chegar lá, havia dezenas de alternativas, mas optamos por (leia-se: o Felipe estudou e selecionou) a rota Santa Cruz - Sucre - Potosí - Uyuni. Para ir de Santa Cruz a Sucre, há dois meios principais: ônibus ou avião. É bem perto, mas dizem - e enfatizam - que a estrada é tão ruim, que a viagem de ônibus demora cerca de 14 horas, podendo estender-se a mais de 20h, com direito a muitas curvas, montanha de um lado e abismos do outro, e muita sinalização, esta constituída integralmente de cruzes. Chamam-na de estrada da morte. Preferimos economizar um dia e nossas vidas pegando um voo de 40 minutos e pagando apenas um pouco a mais. O voo da Aerosur só seria de manhã; ainda tínhamos uma madrugada inteira para desbravar o aeroporto de Santa Cruz, quase vazio.

Primeiro passo: sacar dinheiro. A moeda local é o peso boliviano, chamado resumidamente de boliviano, de valor bem baixo. 1 dollar vale cerca de 7 bolivianos; 1 real vale quase 4. Sacamos algumas notas, suficientes para passarmos os primeiros dias. O voo para Sucre só seria às 10h da manhã; ainda teríamos uma madrugada inteira e eu estava sem sono. Fui conhecer o baño. Normal. Única coisa estranha que notei foi a descarga, que quase não consegui encontrar. Vimos uns troços estranhos de madeira que nos fizeram demorar alguns segundos para percebermos que se tratavam de cadeiras de engraxate. Muito chique! Dentro de aeroporto, nunca tinha visto. Circulando pelo aero, vi um estabelecimento com a chamada "su hotel en el aeropuerto". Feliz por ter encontrado um lugar para dormir, perguntei 'como era o esquema' e a atendente falou que custaria US$ 10 por 2 horas de descanso. Neste momento até meu sono, que estava chegando, passou. Circulei mais um pouco e, do outro lado, vi os assentos de espera para embarque. Foi amor à primeira vista, certeza! A família aí ao lado que o diga! Os bancos não têm divisórias e são incrivelmente confortáveis, além de serem dispostos em fileiras de 4 assentos. Parecia tudo milimetricamente calculado para uma boa noite de sono. Procurei o meu, coloquei o carrinho com as malas de lado e caí no sono.

Já no 4° estágio REM de meu sono, ouvi uma voz delicada que parecia participar dele, com uma frase repetitiva. Acordei. Era a funcionária do aeroporto, anunciando enfaticamente que aquela era a última chamada para um voo qualquer. Lá a última chamada é feita pelo menos 3 vezes. Já era dia, e eu já não mais tinha sono, apenas um leve incômodo nos olhos. Primeira noite usando lentes e, como previsto, esquecera de tirá-las; fortuitamente, o incômodo passou após uma lavagem matinal. Meus amigos ainda dormiam. Vi uma placa apontando "el mirador". Pouco curioso, fui lá sacar umas fotos. Nada demais. A esta hora, o aero já estava lotado de passageiros fazendo check-in. Descemos para tomar café. Havia uma Subway no aero. Aqui em Fortaleza eu sempre passo longe de lá. Não go$to muito. O mais próximo a que já fui foi quando minha prima queria comer um sanduíche de R$ 10,00 naquele da Dom Luís. Eu, não tão faminto, comi um cachorro quente delicioso na outra esquina. Lá na Bolívia é tudo tão barato que o sanduíche mais completo do Subway dentro do aeroporto custava cerca de 24 bolivianos, equivalente a pouco mais de 6 reais. A variedade de verduras de que eles dispõem é considerável. Esbanjei-me com uma promoção que incluía um café e um sanduba por 14 bols (R$ 3,50). Por fora, pedi un jugo. Havia de durazno e de piña. Angustiei-me por não ter chegado até a lição de frutas. Embora eu goste de todo tipo de suco, dos bolivianos eu desconfiava um pouco. A atendente não falava inglês, nem soube me explicar de outra maneira que frutas eram aquelas. Alguém na fila percebeu a situação e me disse que durazno era pêssego; nunca mais esqueci. Pedi-o prontamente, sem mais querer saber o que era piña. Estava tudo muito gostoso e fiquei duplamente satisfeito por ter gastado aproximadamente R$ 5,00 por un desayuno do Subway dentro do aeroporto. Fizemos o check-in e logo já estávamos na aeronave, rumo a Sucre.

domingo, 4 de julho de 2010

Se vira nos 30

Quarta-feira, dia 23 de junho. Voo às 4:30 da tarde; internacional, então teoricamente eu teria que estar no aeroporto às 2:30, pra fazer check in e tudo mais. Logo, eu teria que fazer 6 provas (2 na faculdade, 2 no alemão e 2 no italiano), ir ao oculista pra fazer exame e pegar minha lente (pisca), ajeitar mala, fazer umas comprinhas e resolver mais uma dúzia de pendências.

Provas na faculdade. Duas finais de graça. Em uma, mesmo eu estando com média boa, o prof. me deixou de final por causa das faltas. rs. Mas foi tranquilo.

Provas do italiano. Tinha que ter lido um livro pra fazer a prova oral. Cadê o tempo? Fui na cara de pau fazer a prova, após ligar para uma amiga, que me resumiu a estória do livro em 3 minutos por telefone. Haha. A professora foi gente fina e, percebendo que eu não lera o livro, deixou-me falar sobre outro assunto. Nada mais oportuno pra mim que eu falar sobre a viagem que faria em algumas horas. Desenrolei. ;P

Provas do alemão. Também tinha que ter lido um livro. E, convenhamos, ler um livro de alemão é sacal. Apenas 10 páginas já são o suficiente para gastar horas e horas traduzindo vocabulário. Nem adianta, alemão não é o tipo do idioma que dá pra vc deixar uma palavrinha aqui e outra ali sem traduzir e "entender pelo contexto". Pq, tipo... muitas vezes há mais palavrinhas desconhecidas que conhecidas. :/. Obviamente, não o li. Confiei-me que conseguiria ligar pra um amigo e ele me contaria a estória. Não consegui contactá-lo e, mais uma vez, fui na cara de pau, mesmo sabendo que o professor não permitiria em hipótese alguma que eu fizesse a prova sobre um outro tema qualquer. Pra minha sorte, o professor do alemão esqueceu que tinha marcado comigo a prova na manhã da quarta e, quando lhe liguei, ele disse que não haveria como eu fazer a prova antes de viajar. Dispensou-me das duas provas, afirmando que repetiria minhas notas orais. Achei pouco bom ficar com 9 na média. haha.

Compras com a nama. Meus primeiros sunglasses de mais de 15 reais (30 rs). Uma sunga, já que a minha tava vencida. Uma calça e mais alguns ítens importantes para a viagem. Tudo OK.

Lentes. Há 8 anos que "uso" óculos. Deveria ser direto, mas acho muito incômodo e só uso quando estritamente necessário (assistir aula, TV e dirigir). Pra avacalhar ainda mais, meus óculos estavam mais ralados que meu joelho na época em que praticava esportes no colégio. Viajar para conhecer várias paisagens bacanas e ter que ficar colocando óculos direto, um saco, né?! Apelei pras lentes. Com um pouco de receio, já que eu sou muito indisciplinado e descuidado com esse tipo de coisas. Mas resolvi correr o risco e, em meia hora, saí de lentes - com meu grau certo, que o oculista anterior tinha errado ¬¬.

Mala. Nem tinha mochila grande, e as que vi na Centauro estavam too expensive. Resolvi arriscar pegando a mala gigante do meu irmão. Ela e uma mochila pequena. Dica: nunca faça isso. Quando for viajar, mochilar, o próprio nome já diz tudo. Se não tem mochila grande, COMPRE. Dica de quem está sofrendo com as consequências disso. ;)


Aero. Fui terminar de arrumar minha mala 50 minutos antes do voo. Correria para conseguir chegar 35 minutos antes, certo de que teria grandes problemas devido a meu atraso. Mas que nada. O dia tava se abrindo pra mim. Tudo dando certo. Check-in rápido e logo já estava no avião.

Então era só esfriar a cabeça, há dias estressada, relaxar e.. curtir a viagem. ;D

domingo, 20 de junho de 2010

Wish me good luck


Viagem tá chegando. A hora não é das melhores, já soubera desde o princípio; mas não entrarei no mérito da questão. Não teve jeito. Foi o jeito. Passagens compradas e dezenas de empecilhos que a data me trouxe. Prazo pra passaporte, pra 2ª via do RG, 6 cadeiras na faculdade para negociar adiantamento de provas e trabalhos com professores, o mesmo no alemão e no italiano, 3 escolas onde ensino para adiantar aulas, negociar com alunos, outros professores, coordenadores e diretores, negociar com meus alunos particulares e com outras 3 atividades que realizo.

Segunda-feira, farei 2 provas pela manhã, 1 à tarde e 4 à noite. Terça-feira, 3 provas pela manhã, 3 à tarde e 2 seminários à noite. Quarta-feira, 3 provas de manhã e 8 relatórios para entregar. Some-se a isso preparar aulas, resolver pendências burocráticas da viagem e fazer compras. E meu "tempo livre" seria no final de semana. Entretanto, hoje trabalhei a manhã inteira e tive treinamento a tarde inteira, voltando a trabalhar durante a noite.

Resumindo, tenho todas as 24h do domingo para estudar para 8 provas da faculdade, montar 2 seminários, fazer 8 relatórios, estudar para as 4 provas do alemão e para as 5 do italiano, ler os livros paradidáticos respectivos, preparar algumas aulas e fazer compras.

So wish me good luck..

domingo, 13 de junho de 2010

Valentine's day

Lá nos EUA, o dia dos namorados é comemorado em February, the 14th. Aqui, dia 12 de junho. Engraçado. Nos últimos 22 anos essa data sempre me passara em branco, e nunca sentira falta; era um dia como outro qualquer. Até pq meu relacionamento mais duradouro fora de 3 meses e alguns dias, e nem era oficialmente um 'namoro'.

O status solteiro sempre estivera intrínseco a mim. Amigos, família, todos já sabiam: este aí não quer saber de namorar. E não queria mesmo. Pra eu gastar meu tempo com outra pessoa, teria que ser uma top. Do jeito que eu queria. Charmosa, carinhosa, atenciosa; simpática, divertida, engraçada; sincera, segura de si e auto-confiante; e, pelo amor de Deus, inteligente - porque mulher sem cultura e/ou inteligência é broxante. Não adiantava ter algumas dessas características e não ter as outras. Eu nunca forcei a barra com ideias do tipo "ah, vamos namorar, vamos nos dar uma chance e ver se dá certo". Nem. E não é que eu me ache o pop star digno de tudo isso; apenas nunca quis perder meu tempo com pessoas que, de algum modo, não valessem a pena. Nunca corri atrás de namoro. Sempre vivi minha vida de solteiro.

Aí, este ano, boom! Uma menina com tudo isso e muito mais surgiu na minha vida, de pára-quedas. Inteligente, desenrolada, linda, fala 4 idiomas, beijos. Além de tudo, uma artista, que escreve poesias, desenha, dança, canta e me encanta.

Quem diria?! Já são mais de 4 meses de namoro, e ontem, pela primeira vez na vida, comemorei a caráter o dia 12 de junho. Ganhei um presente a corramairlinda, e dei outro bem gostoso. Haha. Conhecemo-nos no West Coast Swing, então nada mais oportuno que comemorar o dia na West Coast do Ceará. Anedota sem graça, ok. Mas o dia foi perfeito, como cada instante a seu lado (que romântico, quem vê até pensa.. haha).

sábado, 12 de junho de 2010

Innovation, renovation and excellence

Últimos dias de dezembro. Lá estava eu, cheio de expectativas quanto ao ano vindouro, este tal 2010. 1° de janeiro, e já dei um título mental ao que este ano representaria para mim: Innovation, renovation and excellence. Na verdade, eu não tinha nada concreto em mente, apenas o título. Acredito muito que nós atraímos aquilo que mentalizamos, mesmo que indiretamente. E, este ano, estou experienciando isto na prática.

Este ano veio, que veio cheio de novidades. Coisas que eu nunca fizera. Coisas que nunca pensara fazer. Coisas que já até pensara mas não conseguira pôr em prática. Projetos adiados. Muitas coisas convergindo e acontecendo este ano. Cada mês, uma, duas, três surpresas.

Dança. Nunca tinha feito aulas de dança, nem mesmo de forró - neste eu apenas enrolava; quem dançava mais de uma música comigo que o diga ;P. Em janeiro, ouvi falar de West Coast Swing, um ritmo não muito conhecido por aqui, but very charming. Interessei-me e me matriculei no intensivo de férias. Gostei bastante do ritmo e ainda assisto, de vez em quando, a algumas aulas do intermediário e de musicalidade. Meus professores detonam. ;D

Italiano. Como disse em outro post, li um livro contendo alguns diálogos no idioma, estudei um pouco depois e aprendi o básico. Este ano, inscrevi-me para o teste de nível da CCI e passei para o 3° semestre. Infatti, una lingua molto bella!

Vegetarianismo. Desde meados de 2009, eu já tinha uma "mente vegetariana", embora me entupisse de carne 2 vezes ao dia. Era de uma hipocrisia deprimente. Defendia o vegetarianismo nas rodas de discussão quando o assunto surgia, mas, ao chegar em casa, ia direto atacar o bifão. Passei meses nessa, sem conseguir me tornar vegetariano. Aliás, sem conseguir não, sem tentar. Na minha mente, seria tudo muito complicado, pois eu nunca tivera o hábito de comer verduras, detestava a maioria das que conhecia e desconhecia a gama de variedades alimentares e sabores da culinária vegetariana. Início do ano, e decidi que era hora. Ainda em janeiro, fui parando, aos poucos, de comer carne vermelha, enquanto estudava bastante o assunto (leia-se bastante mesmo, horas por dia), lendo livros, artigos, vendo documentários, vídeos avulsos, websites etc. Um mês mais tarde, larguei também a carne branca e todos os produtos derivados de animal morto.
Houve quem dissesse que eu não aguentaria um mês; já estou há quase quatro.
Houve quem achasse que eu passaria fome, que emagreceria; tenho mantido minha massa exatamente como era.
Houve quem pensasse que eu comeria a força, sem prazer; mínha língua, pelo contrário, não tem reclamado, e sim agradecido por eu lhe ter apresentado deliciosos sabores outrora ignorados.
Houve quem apostasse que eu iria gastar fortunas pra me manter com uma dieta assim; meu dinheiro tem sido muito melhor empregado.
Houve quem tivesse certeza de que eu ficaria doente, alegando que a carne era essencial na dieta de um humano. A estes, bons estudos! ;)

Namoro. O status solteiro sempre esteve intrínseco a mim. Amigos, família, todos já sabiam: este aí não quer saber de namorar. E não queria mesmo. Nunca corri atrás de namoro. Sempre vivi minha vida de solteiro. Aí, este ano, boom! Uma menina muito especial surgiu na minha vida, de pára-quedas. Quem diria?! Já são mais de 4 meses de namoro, e ontem, pela primeira vez na vida, comemorei a caráter o dia 12 de junho.

Viagem. Quando eu estava no ginásio, era apaixonado por geografia dos continentes. Sabia desenhar o mapa mundi, o do Brasil indo e voltando, o de cada continente de cabeça pra baixo. Sabia todos os 26 Estados do Brasil e suas capitais, todos os então 51 Estados norte-americanos e suas capitais, todos os então 192 países do globo e suas respectivas capitais. Queria ser geógrafo. Queria conhecer cada lugar, cada cultura. Fui crescendo, esquecendo as capitais dos países asiáticos, os próprios países africanos, e já não desenho o mapa-mundi como antigamente. Mas minha vontade de conhecer o mundo, de ponta a ponta, só vem aumentando. Estudando idiomas, estudo também a cultura dos respectivos países, e isso me atrai enormemente. As paisagens, o povo, a história de cada lugar. Há muito tempo eu queria fazer uma viagem pra fora, e sempre me faltava ou tempo, ou dinheiro, ou os dois - majoritariamente. Este ano, finalmente, vou fazer minha primeira viagem pra fora. Próxima semana, vou à Bolívia com uns amigos, e logo em seguida ao Peru. Será uma viagem rápida, de 3 semanas. Queria conhecer mais lugares, no Chile, na Colômbia, na Venezuela. Mas optamos por conhecer bem poucos lugares ao invés de dar uma passada em vários, passar mais tempo conhecendo que viajando.

Espanhol. Nunca quis aprender, como já falei em outro post. A viagem me fez ter interesse, mesmo que por necessidade. Comecei a estudar o idioma há uma semana, e estou me esforçando. Espero viajar com o básico, pelo menos. Quem sabe, na volta, a Casa de Cultura Hispânica não me espera? hahaha.

De fato, para mim, um ano de surpresas. Um ano de innovation, renovation and excellence. Espero que cada mês vindouro me traga uma nova surpresa e que eu continue inovando, renovando-me e visando a excelência em tudo o que faço.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Time to get rid of all prejudice

Idiomas. Qualquer pessoa que me conhece sabe que idiomas, em geral, é um assunto que me desperta atenção, curiosidade, interesse. No primeiro momento, algumas pessoas pensam que já morei fora, ou que estudo idiomas desde criança, mas sempre deixo claro que meu aprendizado até hoje foi integralmente desenvolvido nos United States of Brazil! Mais especificamente, no Ceará.

Uma situação cômica, trocando beach por bitch, e comecei a estudar inglês.

Enquanto lia 'Código da Vinci', livro de Dan Brown cujo cenário principal é a França, com vários diálogos em francês, fiquei interessado em aprender o idioma, e lá fui eu fazer a prova da Casa de Cultura Francesa; entrei no 1° semestre e terminei o curso ano passado.

Vi o filme 'Der Untergang', que conta a história de Hitler por um outro ângulo, e foi o suficiente para me despertar a vontade de aprender alemão, e lá fui eu fazer a prova da Casa de Cultura Alemã; entrei no 1° semestre e cá estou no 6°, pelejando, mas quase terminando o curso.

Depois, lendo 'Anjos e Demônios', livro também de Dan Brown cujo roteiro se passa na Itália, com vários diálogos em italiano, interessei-me em aprender o idioma e estudei-o durante duas semanas, por conta própria, usando o método Assimil (recomendo!). Logo após, fiz o teste de nível e entrei no terceiro semestre da Casa de Cultura Italiana, em que estou atualmente.

Tá. Mas e o espanhol? Ehrr.. pois é. Nunca me interessei. algo no idioma castellano que.. sei lá! Na verdade acho que falta algo no idioma que me atraia. Ou talvez seja culpa de Dan Brown, que nunca escreveu um livro com cenário em Madri. ahuehuae.

Fato é que meu espanhol se resume a "yo no hablo español", "hasta la vista" e "adiòs", e ainda deve haver alguns erros nas expressões acima.

Fato também é que no final deste mês, se tudo der certo (e vai dar!), farei uma viagem para países cujo idioma oficial é o espanhol. Mochilarei com uns amigos por alguns países vizinhos, e nenhum de nós fala espanhol.

Ok, entender até que é possível; um pouco. As semelhanças do espanhol com o português certamente nos permitem uma leitura e compreensão oral razoáveis, salvas exceções. Mas escrever, falar, são outros 500.

Nesta semana, enquanto assistia ao programa 'Aprendiz Universitário', uma situação em particular me fez refletir melhor sobre esse meu 'preconceito', afinal não conheço o idioma, para 'julgá-lo'. Na última tarefa, os candidatos foram deixados em uma cidade italiana, portando apenas seu passaporte, com o objetivo de chegarem a uma outra cidade, um pouco distante, o mais rápido possível. Um dos dois finalistas, Rodrigo Solano, não falava italiano e nem mesmo inglês. Quase que literalmente passou fome. Gestos são úteis, ok, mas nem sempre são suficientes. Foi impossível estabelecer qualquer comunicação.

Isso me fez refletir sobre mim. Estivesse falando da Europa, ahhh, lá eu conseguiria me virar tranquilamente com inglês, francês, italiano, e ainda me arriscaria com o alemão. Mesmo que eu só falasse o inglês, creio que não teria grandes problemas, pois é fato que uma boa parcela da população europeia fala inglês. Na América do Sul, por outro lado, creio que a situação não seja lá tão semelhante; tiro pelo Brasil. Daí fiquei me imaginando lá no Peru, faminto, querendo comer algo sem carne, sem saber o nome de alimento algum em espanhol. E também não sou muito bom com desenhos; meus alunos que o digam. Bem crítico.

Devido a todos os receios que tenho de o não conhecimento, nem mesmo a nível básico, do idioma espanhol poder me trazer sérias complicações, principalmente relacionadas a alimentação e localização, estou, aos poucos, vencendo meu preconceito para com o idioma, e já está nos meus planos do mês começar a estudá-lo.

O material já baixei. "Assimil: lo Spangnolo senza sfuerzo", que ensina espanhol através do italiano. Falta só começar a pô-lo em prática e torcer para que os 19 dias que ainda restam antes da viagem sejam suficientes para eu conseguir aprender ao menos como dizer queijo e ovo.

Hasta la vista!

How it all started..

Nesta semana, estava eu com meus alunos a realizar uma atividade de basic personal presentation, em inglês, e alguns alunos alegaram que uma de suas maiores motivações para almejarem aprender o idioma era "não mais querer passar vergonha". Ora, mal sabem eles como EU, their teacher, fui introduzido ao idioma; mal sabem que tudo começou com uma 'embarassing situation' prática, talvez bem mais cômica que as que eles vivenciaram, dando o ponta-pé inicial pela necessidade que me fez, posteriormente, tomar gosto pela coisa.

Sempre gostei de inglês e desde criança percebi isso. Sempre quis falar inglês. Entretanto, pra quem não é filho da Xuxa e não foi alfabetizado em inglês, querer != poder. Conhecia nomes de todas as cores, de vários animais, frutas, objetos em geral etc. WOW! Quase um nativo, hein?! Aos 12 anos, surgiu um curso de inglês no interior onde eu vivia, e meu pai se matriculou, levando-me junto, de quebra. Íamos às aulas juntos, "estudávamos" juntos. A professora até que era boa, coitada, mas acho que eu ainda não tinha discernimento suficiente para aprender um idioma. Durou um semestre; apenas alguns gatos-pingados permaneceriam no segundo semestre, e fim de curso. Não lembro de ter aprendido, portanto, algo de significativo, que eu tenha efetivamente incorporado.

Os anos se passaram, entrei na faculdade, e lá, dos 40 alunos da minha turma, todos (exceto 1) sabiam inglês. Alguns falavam, mas (quase) todos ao menos liam muito bem. Eu passava fome. Acho que era o 39°, no máximo o 38°. Lembro bem da Vivz (CAE A-level, kisses) tirando uma onda comigo só porque eu perguntei qual seria a "about table" daquele dia, após nosso almoço no RU.

Em 2005, ouvi falar das Casas de Cultura Estrangeira da UFC, embora não compreendesse bem a ideia. Ainda assim, inscrevi-me para o exame de seleção para o primeiro semestre da Casa de Cultura Britânica (CCB), enquanto vários colegas, que já dominavam inglês, inscreviam-se para a Francesa, Alemã etc. A prova abrangia português e conhecimentos gerais (leia-se história e geografia do Ceará e do Brasil). Sou das exatas, e História nunca foi a minha praia. Não tenho 'inteligência histórica', pode-se dizer. Leio, leio, leio, aprendo (decoro), e desaprendo a uma taxa de 50% ao dia. Se nem a história do mundo, que estudei (leia-se 'vi no colégio') por quase uma década, eu aprendera, quem diria a do Ceará, que nunca nem ouvira falar. Muito garotão, fui fazer a prova sem estudar (risos). Ansioso pelo resultado, fiquei muito decepcionado com a brilhante classificação de 800 e lascou-se nos classificáveis. Até pensei em ir à chamada, 'ver qualera'; desisti alguns milissegundos depois. Meu orgulho me dizia: "Eu nem queria mesmo; posso aprender sozinho."

Na época, trabalhava em um laboratório de pesquisas na faculdade. Meu "inglesão" era suficiente pra conseguir entender um artigo escrito em inglês, de 8 páginas, em uma semana, e eu estava satisfeito com isso. Achava que não havia necessidade de fazer um curso, "dava pra aprender sozinho". No ano seguinte, dois franceses vieram pesquisar VoIP lá na faculdade e 'foram bater' no tal laboratório. Eles não falavam português, e meu francês se resumia a "mercibôcú", então a comunicação era (supostamente) feita em inglês. Afinal, dizem por aí que o que importa é entender e ser entendido, né?! Acho que por isso eu tinha essa convicção de que fazer um curso de idiomas seria perda de tempo. Uma tarde, fomos lanchar e, enquanto comíamos, eu, querendo puxar assunto (leia-se querendo falar inglês), fiquei durante alguns segundos formulando (traduzindo) mentalmente como perguntar se eles já haviam ido à Praia do Futuro, aqui em Fortaleza. Não cheguei nem perto de "Have you been to the Future Beach yet?". O máximo que saiu, e com uma pronúncia incrivelmente nativa (do Ceará), foi: "Did you already go to the Future b****?". Ehrr.. Eu não sabia como pronunciar beach corretamente, e menos ainda sabia eu da existência de uma palavra(ona) com pronúncia semelhante e significado tão.. diverso. É, falei bitch sim! Os gringos mostraram-se incrédulos, refletindo sobre o que seria a tal "P*** do futuro". Meus colegas presentes riram da situação; e eu lá, de retardado, sem nem mesmo conseguir entender a piada que eu mesmo criara. Após o lanche, um dos gringos, visando me incentivar, deu-me um feedback bem positivo: "Cara, vc desenrola legal e tal, mas faça um curso, vc aprenderá muito". Naquela época eu não recebia feedbacks muito bem, mas aquele foi aceito e absorvido com uma facilidade peculiar.

No mês seguinte, as inscrições para o teste de nível da Britânica foram abertas. Eu já conhecia um pouco da gramática inglesa; verbo to be, question tags, sim senhor! Nisso eu me garantia! Estudei mais um pouco, durante umas duas semanas, focando no conteúdo e provas da seleção, e fiz minha inscrição na CCB para o 4° semestre (sim, sou afoito!). Acertei uma quantidade razoável de questões (40/50), passei para o horário que eu queria e lá estava eu cursando inglês. OK, passar na prova é fácil, quando se estuda sistematicamente para a mesma, mas.. e quanto a acompanhar o curso? Afinal, desde muito antes do S4 as aulas já são dadas em inglês, sem considerar que os alunos já vinham há um ano e meio estudando o idioma, 'tinindo'. Isto é, eu já tinha consciência de que iria passar uma fomezinha no começo. Dito e feito. Errava quase todas as construções gramaticais, pronunciava quase tudo errado (nunca esquecerei o "dj'uli" querendo falar "djul'ai"), mas aqueles que faziam esforço conseguiam me entender. ahueha. No entanto, eu me esforçava, e arrisco dizer que dentro dos dois primeiros meses do mesmo semestre eu já estava nivelado aos demais 21 alunos da turma. De lá pra cá, nunca mais parei. Raramente obtia notas abaixo de 9,0 e, sem pretensão, sempre me destacava. Terminei o 4°, 5°, 6° e 7° semestres do Curso "básico-intermediário" com um sentimento de "já sei falar inglês". Ok, eu já desenrolava legal, em ambas as habilidades escrita e oral.

Depois fiz o exame de seleção para entrar no Curso Preparatório para o FCE (3° nível dos certificados de Cambridge), também na CCB e, novamente sem pretensões, obtive o 1° lugar no exame (beijos). Entrando lá, eu vi que de inglês eu não sabia quase nada, que o idioma se estendia muito além de tudo que eu já dominava. Foram três semestres de aprendizado constante, com duas professoras excelentes, e com uma turma de nível cultural altíssimo. Todo mundo ou já tinha viajado bastante pelo mundo, ou já cursava Letras Inglês e dava aulas de inglês há tempos. Eu era o único matuto inexperiente presente, hehe. Sim, às vezes me sentia um desprovido de cultura, meio a tamanho nível intelectual de meus colegas FCEanos, com quem tanto aprendi e de cuja companhia tanto pude desfrutar.

Foram 3 anos e meio estudando formalmente inglês. Infelizmente, o CAE (supramencionado) não foi ofertado na CCB este semestre, e tive que ficar 'parado', por dois motivos básicos:
1) Não boto fé nesses cursos particulares conhecidos; nem com bolsa integral eu perderia meu tempo estudando neles.
2) A Cultura Inglesa, única além da CCB em que confio, demanda grana demais; não dá pro meu orçamento.
Talvez por isso eu exalte tanto as Casas de Cultura da UFC. Estrutura excelente, professores excelentes, alunos com um nível intelectual que adiciona bastante ao aprendizado, proficiência garantida (para quem faz por onde), e tudo isso por míseros R$ 80,00 ao semestre. Wow, hein?! Excellent!

Há um tempo comecei a usar o inglês também como ferramenta de trabalho. Já lidei diretamente com estrangeiros, entrevistando, recepcionando e acompanhando; já trabalhei com traduções, avaliações; já dei aulas particulares e para turmas. Geralmente, a primeira coisa que perguntam é: "Vem cá, e quanto tempo vc já morou fora?". Decepção, han? Ainda não pisei o pé fora do Brasil, mas garanto que é plenamente possível aprender a falar inglês fluente e corretamente sem sair do país. Aliás, conheço muitos que já moraram meses, anos fora, e têm uma proficiência questionável, hein?!

Mas, enfim. É possível que o CAE seja novamente ofertado pela CCB no próximo semestre.

I hope so.