Nesta semana, estava eu com meus alunos a realizar uma atividade de basic personal presentation, em inglês, e alguns alunos alegaram que uma de suas maiores motivações para almejarem aprender o idioma era "não mais querer passar vergonha". Ora, mal sabem eles como EU, their teacher, fui introduzido ao idioma; mal sabem que tudo começou com uma 'embarassing situation' prática, talvez bem mais cômica que as que eles vivenciaram, dando o ponta-pé inicial pela necessidade que me fez, posteriormente, tomar gosto pela coisa.
Sempre gostei de inglês e desde criança percebi isso. Sempre quis falar inglês. Entretanto, pra quem não é filho da Xuxa e não foi alfabetizado em inglês, querer != poder. Conhecia nomes de todas as cores, de vários animais, frutas, objetos em geral etc. WOW! Quase um nativo, hein?! Aos 12 anos, surgiu um curso de inglês no interior onde eu vivia, e meu pai se matriculou, levando-me junto, de quebra. Íamos às aulas juntos, "estudávamos" juntos. A professora até que era boa, coitada, mas acho que eu ainda não tinha discernimento suficiente para aprender um idioma. Durou um semestre; apenas alguns gatos-pingados permaneceriam no segundo semestre, e fim de curso. Não lembro de ter aprendido, portanto, algo de significativo, que eu tenha efetivamente incorporado.
Os anos se passaram, entrei na faculdade, e lá, dos 40 alunos da minha turma, todos (exceto 1) sabiam inglês. Alguns falavam, mas (quase) todos ao menos liam muito bem. Eu passava fome. Acho que era o 39°, no máximo o 38°. Lembro bem da Vivz (CAE A-level, kisses) tirando uma onda comigo só porque eu perguntei qual seria a "about table" daquele dia, após nosso almoço no RU.
Em 2005, ouvi falar das Casas de Cultura Estrangeira da UFC, embora não compreendesse bem a ideia. Ainda assim, inscrevi-me para o exame de seleção para o primeiro semestre da Casa de Cultura Britânica (CCB), enquanto vários colegas, que já dominavam inglês, inscreviam-se para a Francesa, Alemã etc. A prova abrangia português e conhecimentos gerais (leia-se história e geografia do Ceará e do Brasil). Sou das exatas, e História nunca foi a minha praia. Não tenho 'inteligência histórica', pode-se dizer. Leio, leio, leio, aprendo (decoro), e desaprendo a uma taxa de 50% ao dia. Se nem a história do mundo, que estudei (leia-se 'vi no colégio') por quase uma década, eu aprendera, quem diria a do Ceará, que nunca nem ouvira falar. Muito garotão, fui fazer a prova sem estudar (risos). Ansioso pelo resultado, fiquei muito decepcionado com a brilhante classificação de 800 e lascou-se nos classificáveis. Até pensei em ir à chamada, 'ver qualera'; desisti alguns milissegundos depois. Meu orgulho me dizia: "Eu nem queria mesmo; posso aprender sozinho."
Na época, trabalhava em um laboratório de pesquisas na faculdade. Meu "inglesão" era suficiente pra conseguir entender um artigo escrito em inglês, de 8 páginas, em uma semana, e eu estava satisfeito com isso. Achava que não havia necessidade de fazer um curso, "dava pra aprender sozinho". No ano seguinte, dois franceses vieram pesquisar VoIP lá na faculdade e 'foram bater' no tal laboratório. Eles não falavam português, e meu francês se resumia a "mercibôcú", então a comunicação era (supostamente) feita em inglês. Afinal, dizem por aí que o que importa é entender e ser entendido, né?! Acho que por isso eu tinha essa convicção de que fazer um curso de idiomas seria perda de tempo. Uma tarde, fomos lanchar e, enquanto comíamos, eu, querendo puxar assunto (leia-se querendo falar inglês), fiquei durante alguns segundos formulando (traduzindo) mentalmente como perguntar se eles já haviam ido à Praia do Futuro, aqui em Fortaleza. Não cheguei nem perto de "Have you been to the Future Beach yet?". O máximo que saiu, e com uma pronúncia incrivelmente nativa (do Ceará), foi: "Did you already go to the Future b****?". Ehrr.. Eu não sabia como pronunciar beach corretamente, e menos ainda sabia eu da existência de uma palavra(ona) com pronúncia semelhante e significado tão.. diverso. É, falei bitch sim! Os gringos mostraram-se incrédulos, refletindo sobre o que seria a tal "P*** do futuro". Meus colegas presentes riram da situação; e eu lá, de retardado, sem nem mesmo conseguir entender a piada que eu mesmo criara. Após o lanche, um dos gringos, visando me incentivar, deu-me um feedback bem positivo: "Cara, vc desenrola legal e tal, mas faça um curso, vc aprenderá muito". Naquela época eu não recebia feedbacks muito bem, mas aquele foi aceito e absorvido com uma facilidade peculiar.
No mês seguinte, as inscrições para o teste de nível da Britânica foram abertas. Eu já conhecia um pouco da gramática inglesa; verbo to be, question tags, sim senhor! Nisso eu me garantia! Estudei mais um pouco, durante umas duas semanas, focando no conteúdo e provas da seleção, e fiz minha inscrição na CCB para o 4° semestre (sim, sou afoito!). Acertei uma quantidade razoável de questões (40/50), passei para o horário que eu queria e lá estava eu cursando inglês. OK, passar na prova é fácil, quando se estuda sistematicamente para a mesma, mas.. e quanto a acompanhar o curso? Afinal, desde muito antes do S4 as aulas já são dadas em inglês, sem considerar que os alunos já vinham há um ano e meio estudando o idioma, 'tinindo'. Isto é, eu já tinha consciência de que iria passar uma fomezinha no começo. Dito e feito. Errava quase todas as construções gramaticais, pronunciava quase tudo errado (nunca esquecerei o "dj'uli" querendo falar "djul'ai"), mas aqueles que faziam esforço conseguiam me entender. ahueha. No entanto, eu me esforçava, e arrisco dizer que dentro dos dois primeiros meses do mesmo semestre eu já estava nivelado aos demais 21 alunos da turma. De lá pra cá, nunca mais parei. Raramente obtia notas abaixo de 9,0 e, sem pretensão, sempre me destacava. Terminei o 4°, 5°, 6° e 7° semestres do Curso "básico-intermediário" com um sentimento de "já sei falar inglês". Ok, eu já desenrolava legal, em ambas as habilidades escrita e oral.
Depois fiz o exame de seleção para entrar no Curso Preparatório para o FCE (3° nível dos certificados de Cambridge), também na CCB e, novamente sem pretensões, obtive o 1° lugar no exame (beijos). Entrando lá, eu vi que de inglês eu não sabia quase nada, que o idioma se estendia muito além de tudo que eu já dominava. Foram três semestres de aprendizado constante, com duas professoras excelentes, e com uma turma de nível cultural altíssimo. Todo mundo ou já tinha viajado bastante pelo mundo, ou já cursava Letras Inglês e dava aulas de inglês há tempos. Eu era o único matuto inexperiente presente, hehe. Sim, às vezes me sentia um desprovido de cultura, meio a tamanho nível intelectual de meus colegas FCEanos, com quem tanto aprendi e de cuja companhia tanto pude desfrutar.
Foram 3 anos e meio estudando formalmente inglês. Infelizmente, o CAE (supramencionado) não foi ofertado na CCB este semestre, e tive que ficar 'parado', por dois motivos básicos:
1) Não boto fé nesses cursos particulares conhecidos; nem com bolsa integral eu perderia meu tempo estudando neles.
2) A Cultura Inglesa, única além da CCB em que confio, demanda grana demais; não dá pro meu orçamento.
Talvez por isso eu exalte tanto as Casas de Cultura da UFC. Estrutura excelente, professores excelentes, alunos com um nível intelectual que adiciona bastante ao aprendizado, proficiência garantida (para quem faz por onde), e tudo isso por míseros R$ 80,00 ao semestre. Wow, hein?! Excellent!
Há um tempo comecei a usar o inglês também como ferramenta de trabalho. Já lidei diretamente com estrangeiros, entrevistando, recepcionando e acompanhando; já trabalhei com traduções, avaliações; já dei aulas particulares e para turmas. Geralmente, a primeira coisa que perguntam é: "Vem cá, e quanto tempo vc já morou fora?". Decepção, han? Ainda não pisei o pé fora do Brasil, mas garanto que é plenamente possível aprender a falar inglês fluente e corretamente sem sair do país. Aliás, conheço muitos que já moraram meses, anos fora, e têm uma proficiência questionável, hein?!
Mas, enfim. É possível que o CAE seja novamente ofertado pela CCB no próximo semestre.
I hope so.
Um comentário:
esse finalzinho foi pra mim, han? bjos me liga gato
Postar um comentário