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sábado, 24 de julho de 2010

Llegando a Santa Cruz de la Sierra

No aero de Fortaleza, conheci o Andrei. Embarcamos no nosso voo e foi tudo tranquilo. Chegamos a São Paulo à noite, e logo na passagem para a conexão avistamos nosso amigo Felipe, facilmente reconhecível por seu nariz peculiar. Trocamos beijos e carícias, e juntamo-nos a explorar o Duty Free - aquela lojinha dentro do aero que vende de tudo por um bom preço (pra gringos) pela qual vc é praticamente obrigado a passar; mesmo sabendo que não compraríamos PN, perguntávamos o preço de tudo, e eu, lembrando que não tinha passado perfume, aproveitei os refis e passei discretamente nos braços e pescoço a fragância de que mais gostei. Logo embarcamos no nosso voo para Santa Cruz; era hora de cruzar a fronteira aérea Boliviana.

A Bolívia tem uma área territorial aproximada à do Estado do Amazonas, no Brasil; isto é, não é tão pequena assim. Dados estatísticos apontam que 1/3 da população de todo o país concentra-se em apenas três cidades: La Paz, Sucre e Santa Cruz de la Sierra. Em alguns lugares do mundo, ensina-se no colégio que sua capital é La Paz, embora La Paz seja apenas a capital administrativa. Os bolivianos fazem questão de enfatizar que sua capital é, na realidade, Sucre, que é a capital Constitucional e Judicial. Santa Cruz de la Sierra é a cidade mais populosa do país, com um pouco menos de 2 milhões de habitantes - isto é, menor que Fortaleza.

Logo que chegamos ao aero, tínhamos que passar pela imigração. Certo de que meu cartão de vacinação seria exigido, saquei-o prontamente. Que nada; fiquei com uma sensação de que tomara duas agulhadas de graça. Começou então o desafio do espanhol. Antes de viajar, eu estudara um pouco. Un poquito, como já dizia o amigo Rodrigo Solano, do Aprendiz 2010. Já sabia falar no presente e no passado; com alguns verbos, claro. Não foi preciso tanto. Poucas palavras e, ao perceberem que éramos brasileiros, senti uma certa redução de burocracia. Já estávamos com nosso carimbo de entrada na Bolívia; e o coitado do Felipe, que até passaporte tinha tirado, nem pra tê-lo carimbado - muito esperto, despachara-o junto com sua mochila.

Nosso primeiro objetivo era fazer a trilha do Salar de Uyuni. A trilha se inicia na cidade de Uyuni, no Departamento de Potosí. Para chegar lá, havia dezenas de alternativas, mas optamos por (leia-se: o Felipe estudou e selecionou) a rota Santa Cruz - Sucre - Potosí - Uyuni. Para ir de Santa Cruz a Sucre, há dois meios principais: ônibus ou avião. É bem perto, mas dizem - e enfatizam - que a estrada é tão ruim, que a viagem de ônibus demora cerca de 14 horas, podendo estender-se a mais de 20h, com direito a muitas curvas, montanha de um lado e abismos do outro, e muita sinalização, esta constituída integralmente de cruzes. Chamam-na de estrada da morte. Preferimos economizar um dia e nossas vidas pegando um voo de 40 minutos e pagando apenas um pouco a mais. O voo da Aerosur só seria de manhã; ainda tínhamos uma madrugada inteira para desbravar o aeroporto de Santa Cruz, quase vazio.

Primeiro passo: sacar dinheiro. A moeda local é o peso boliviano, chamado resumidamente de boliviano, de valor bem baixo. 1 dollar vale cerca de 7 bolivianos; 1 real vale quase 4. Sacamos algumas notas, suficientes para passarmos os primeiros dias. O voo para Sucre só seria às 10h da manhã; ainda teríamos uma madrugada inteira e eu estava sem sono. Fui conhecer o baño. Normal. Única coisa estranha que notei foi a descarga, que quase não consegui encontrar. Vimos uns troços estranhos de madeira que nos fizeram demorar alguns segundos para percebermos que se tratavam de cadeiras de engraxate. Muito chique! Dentro de aeroporto, nunca tinha visto. Circulando pelo aero, vi um estabelecimento com a chamada "su hotel en el aeropuerto". Feliz por ter encontrado um lugar para dormir, perguntei 'como era o esquema' e a atendente falou que custaria US$ 10 por 2 horas de descanso. Neste momento até meu sono, que estava chegando, passou. Circulei mais um pouco e, do outro lado, vi os assentos de espera para embarque. Foi amor à primeira vista, certeza! A família aí ao lado que o diga! Os bancos não têm divisórias e são incrivelmente confortáveis, além de serem dispostos em fileiras de 4 assentos. Parecia tudo milimetricamente calculado para uma boa noite de sono. Procurei o meu, coloquei o carrinho com as malas de lado e caí no sono.

Já no 4° estágio REM de meu sono, ouvi uma voz delicada que parecia participar dele, com uma frase repetitiva. Acordei. Era a funcionária do aeroporto, anunciando enfaticamente que aquela era a última chamada para um voo qualquer. Lá a última chamada é feita pelo menos 3 vezes. Já era dia, e eu já não mais tinha sono, apenas um leve incômodo nos olhos. Primeira noite usando lentes e, como previsto, esquecera de tirá-las; fortuitamente, o incômodo passou após uma lavagem matinal. Meus amigos ainda dormiam. Vi uma placa apontando "el mirador". Pouco curioso, fui lá sacar umas fotos. Nada demais. A esta hora, o aero já estava lotado de passageiros fazendo check-in. Descemos para tomar café. Havia uma Subway no aero. Aqui em Fortaleza eu sempre passo longe de lá. Não go$to muito. O mais próximo a que já fui foi quando minha prima queria comer um sanduíche de R$ 10,00 naquele da Dom Luís. Eu, não tão faminto, comi um cachorro quente delicioso na outra esquina. Lá na Bolívia é tudo tão barato que o sanduíche mais completo do Subway dentro do aeroporto custava cerca de 24 bolivianos, equivalente a pouco mais de 6 reais. A variedade de verduras de que eles dispõem é considerável. Esbanjei-me com uma promoção que incluía um café e um sanduba por 14 bols (R$ 3,50). Por fora, pedi un jugo. Havia de durazno e de piña. Angustiei-me por não ter chegado até a lição de frutas. Embora eu goste de todo tipo de suco, dos bolivianos eu desconfiava um pouco. A atendente não falava inglês, nem soube me explicar de outra maneira que frutas eram aquelas. Alguém na fila percebeu a situação e me disse que durazno era pêssego; nunca mais esqueci. Pedi-o prontamente, sem mais querer saber o que era piña. Estava tudo muito gostoso e fiquei duplamente satisfeito por ter gastado aproximadamente R$ 5,00 por un desayuno do Subway dentro do aeroporto. Fizemos o check-in e logo já estávamos na aeronave, rumo a Sucre.

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