O projeto Acquário Ceará (http://www.youtube.com/watch?v=6iq8T99gmH0) é, desde seu surgimento, alvo de grandes polêmicas.
Conheço pouquíssimas pessoas no Estado que sejam a favor do projeto, exceto a cúpula do governo, em especial aqueles que trabalham na SETUR. Entretanto, meus amigos que moram em outros Estados tendem, naturalmente, a apreciar a obra faraônica do nosso governador-imperador-faraó.
Tentei compilar neste texto os motivos pelos quais sou COMPLETAMENTE CONTRA esta obra.
Primeiramente, não houve discussão inicial com a sociedade, e este projeto não se trata, definitivamente, de uma vontade popular. Pesquisas feitas em Fortaleza já mostraram que a maioria dos cidadãos não são a favor da obra e a rejeitam. Abaixo, mais alguns motivos.
1) Irregularidades iniciais: Licitação
Uma obra deste porte precisaria passar por licitação, desde para a realização do projeto, até sua execução, permitindo a livre concorrência entre prestadores de serviços. Uma obra inicialmente orçada em 250 milhões de reais não se caracteriza nas possibilidades de dispensa de licitação. Não houve licitação, e uma empresa, Imagic, de propriedade do arquiteto Leonardo Fontenele, foi a empresa escolhida para projetar a obra. Não bastasse, o governador alegou inexigibilidade por notória especialidade para contratar a empresa norte-americana ICM Reynolds para a construção do empreendimento. A assessoria de comunicação do Acquário afirma que essa empresa seria a única no planeta com capacidade superlativa de entregar, coordenadamente, todo o empreendimento, o que se mostra como uma falsa justificativa, uma vez que, com uma busca rápida, é possível encontrar pelo menos mais duas empresas que já fizeram obras semelhantes, com o mesmo material (acrílico).
Empresa 1: http://www.hydrosight.com/services/public_aquarium_construction.php
Empresa 2: http://www.jmf.or.jp/monodzukuri/english/world/01.html
2) Irregularidades iniciais: Licença ambiental
O Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) denuncia que a licença de instalação do projeto Acquário Ceará, emitida pela Semace, é irregular, uma vez que, no estudo ambiental do projeto (http://www.semace.ce.gov.br/wp-content/uploads/2011/11/FORTALEZA-AQUARIO.pdf) não foram feitos estudos de impactos arqueológicos da obra, que são OBRIGATÓRIOS em obras deste porte, e, por isso, o MP embargou a obra. Perceba que quem emitiu a licença foi a Semace, secretaria subordinada ao Governo do Estado (risos).
3) Viabilidade econômica
A obra, após concluída, geraria um custo de operação e manutenção ALTÍSSIMO, que possivelmente sairiam dos cofres públicos, pois, para se manter de maneira sustentável, o dispositivo precisaria de uma quantidade de visitantes que é praticamente inexequível a curto-médio prazo. O custo estimado HOJE é de 1,5 milhões mensais para manutenção. Quando eu digo "hoje" é porque esses custos sempre sobem quando a obra fica pronta, especialmente em projetos mal feitos como este. Segundo o governo, "espera-se" uma lucratividade de mais de 19 milhões por mês, muito embora não tenha sido apresentado nenhum plano de negócios que garantisse a sustentabilidade financeira da obra. Isto é, o risco de o Estado ter que ficar subsidiando o funcionamento do aquário seria bem alto. Além disso, o Governo do Estado está negociando um empréstimo de aproximadamente US$ 105 milhões com o Bank of United States, investimento este que não se sabe como será pago, uma vez que, repito, não foi apresentado plano de negócios detalhado com estudo de sustentabilidade financeira do empreendimento. O restante dos gastos para o projeto sairia diretamente dos cofres públicos, no valor inicial de US$ 45 milhões. O custo inicial já beira os 300 milhões de reais.
4) Impactos ambientais
Algumas possibilidades cogitadas por oceanógrafos são o avanço do mar, a mudança de processos ecológicos marinhos, e até o desaparecimento ou extinção de algumas espécies marinhas. A retirada dos animais de seu habitat natural nunca será uma iniciativa de proteção, mas sempre de exploração. A demolição do antigo prédio, antiga sede do DENOCS, já poluiu bastante o mar com metais e já está causando prejuízos diversos às espécies marítimas e às populações que tinham ali uma área de lazer.
5) Impactos sociais
Com uma obra deste porte, o valor do pedaço de terra na região é supervalorizado, fazendo com que grandes empreiteiras disputem o local e retirem comunidades locais para ali se estabelecerem. O projeto abrange uma construção gigantesca, que não cabe naquele local, prejudicando estruturas vizinhas.
6) Turismo
O Governo alega que o empreendimento seria um atrativo internacional, o que teria que dispor de uma base de pesquisa. Entretanto, não foi apresentado projeto científico algum. Quanto à parte turística do Estado, existem DEZENAS de outras possibilidades que seriam muito mais úteis e efetivas para dar uma movimentada no setor, com gastos bem menores e gerando muito mais empregos, por exemplo. O Dragão do Mar está largado, o Parque do Cocó não tem a devida atenção do poder público, a beira-mar já não dispõe de estrutura logísitca para o tráfego já existente.
O mais preocupante é que o custo do aquário é maior que os gastos do Estado com saúde, educação e segurança SOMADOS em um ano.
Divagações e narrativas de um cara com sede de desbravar cada parte do globo e sua cultura
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terça-feira, 25 de junho de 2013
sábado, 8 de junho de 2013
Vagas de Estágio - II
Um dia após eu ter escrito (*inconformado pelo particípio regular de alguns verbos abundantes estar entrando em desuso na língua culta devido ao mau uso da população brasileira...) o post anterior (Vagas de Estágio), uma cidadã postou o link para as vagas de estágio em um grupo do facebook que modero (IFCE). Seu post desencadeou toda uma discussão, que, ao meu ver, contribui bastante para reforçar tudo o que eu havia escrito (hunft!) anteriormente.
Segue abaixo:
Cidadã:
Corre que é até amanhã!!
80 vagas para estudantes dos cursos de turismo, história, geografia, letras, jornalismo e administração.
http://glo.bo/16Dc405
Eu:
O que eu acho: http://danielcavalcante.blogspot.nl/2013/06/vagas-de-estagio.html
Cidadã:
Vc tem todo o direito de achar o que quiser, mas antes de sair escrevendo por ai (afinal tudo cabe no papel... e na tela do computador tb), seria bom se certificar das informações. Nem li seu texto, mas de cara... corrige só uma informaçãozinha básica: a seleção é da Secretaria de Turismo de FORTALEZA
Eu:
Pronto, corrigido! Obrigado pelo feedback.
*Vale ressaltar que o equívoco que cometi em nada tem a ver com se certificar das informações, até mesmo porque a informação de que a secretaria é municipal, e não estadual, está na própria matéria do jornal.
Cidadã:
Oi?! kkkk Boa sorte!
Eu:
Ahhhh, vc trabalha na secretaria de turismo! Entendi, agora. :)
Cidadã:
Juuuuraa?! kkkk Não acredite em tudo oq lê no Facebook. De toda forma, meu conhecimento de causa é suficiente para nao fazer uma analise tao superficial quanto a que vc coloca! E repito: eh prudente se certificar das informaçoes antes de sair falando/escrevendo/julgando por ai!
Eu:
Eu já tinha visto o comentário anterior, mas gostei que você o apagou e voltou pra participar da discussão, hahaha. Se minha análise é superficial e vc realmente quer rebatê-la, é bom fazê-lo com dados e argumentos, e não apenas com mimimi.
Cidadã:
kkkkk bom, meu comentario anterior difere muito pouco desse! E eu nao discuto com quem nao tem argumentos, mas se vc quiser refazer sua analise com maior profundidade e conhecimento de causa, eu posso te dar uma ajudinhaa, sim! ;)
Eu:
Quero sim, sempre! Ajuda aí! :D
Cidadã:
Ok, Vamos lá aos esclarecimentos: O Programa de Estágio da Secretaria de Turismo de FORTALEZA já existe há anos, e é uma das oportunidades únicas em Fortaleza de se ter experiência na Gestão Pública em Turismo. A seleção, à propósito, é uma das mais criteriosas que eu já tive conhecimento. A exigência pela língua estrangeira como pré-requisito também é tão antiga quanto a seleção. À propósito, ninguém tem obrigação de falar a língua de ninguém, em lugar nenhum, mas a partir do momento em que uma pessoa se propõe a trabalhar com turistas, automaticamente essa pessoa deve conhecer melhor sobre a cultura de outros locais, incluindo sua língua, no intuito de melhor recebê-los e atendê-los. O inglês é a língua mais falada no mundo e saber se comunicar por meio dele é, portanto, o mais prático, e o mínimo que se pode fazer trabalhando com turismo, em uma cidade turística como Fortaleza, especialmente com a vinda desses megaeventos esportivos internacionais para a cidade. De fato, a opção pelo uso de estagiários é uma alternativa para se obter mão de obra qualificada a um baixo-custo, mas essa estratégia não é exclusividade da Setfor... muito pelo contrário, é mais comum do que se imagina, sendo usada aqui e em todo lugar no Brasil! (Tão usada que precisou atá de lei pra regulamentar!) Por outro lado, a opção por receber uma bolsa estágio, sem vínculo institucional, (e não um salário, com carteira assinada), é o preço que o estagiário paga para ter essa oportunidade de vivenciar a gestão pública em Turismo e agregar valor ao seu currículo, com essa experiência. Também é o valor que o estagiário paga para se utilizar da SETFOR como vitrine do seu trabalho no mercado, para ter a flexibilidade de horário, trabalhando meio-expediente, e para ter concessões como faltas justificadas em casos de provas e/ou viagens técnicas pelo Curso (Requisitos dos Cursos de Turismo que dificilmente ele conseguiria cumprir em um trabalho de "carteira assinada"). Além disso, em consequência do quadro reduzido de funcionários da Secretaria, essa oportunidade dificilmente poderia ser a eles dada de outra forma! Quanto ao fato da seleção ter sido feita ''só'' agora, utilizou-se do mote da Copa das Confederações para justificá-la, e para dar maior celeridade ao processo, uma vez que ela deveria ter sido feita desde o ano passado. No entanto, por consequência do período eleitoral e da subsequente mudança de gestão, impossibilitou que este processo seletivo fosse realizado antes! Por isso, ela precisou ser adiada e só agora está sendo feita "para a Copa das Confederações", só depois que a nova gestão conseguiu se estruturar para então realizá-la. Além disso, sobre a própria bolsa-estágio, essa experiência é remunerada (muito diferente da proposta do Programa de Trabalho Voluntário - ridículo - da Fifa!), e bem remunerada, diga-se de passagem, se comparada aos valores das bolsas anteriores oferecidas pela Prefeitura! (Há três anos, em 2010, essa bolsa-estágio da Prefeitura era menos da metade desse valor! Assim, o atual valor da bolsa oferecido é, a meu ver, um avanço considerável e um reflexo da valorização desse estagiário!) Portanto, não se tratou esse processo de seleção de algo impensado e não-planejado, pelo contrário! E mais uma vez repito: é prudente conhecer os fatos, os dois lados da moeda, se certificar deles e só então se pronunciar sobre!
Eu:
Ok. Antes de eu responder ao teu comentário, preciso que você me responda a duas perguntas simples:
1) Você disse que não tinha lido meu post ("nem li o seu texto"). Você o leu por completo depois?
2) Você já estava trabalhando na SETFOR em 2010? Caso sim, ouviu falar do programa Olá Turista, no Ministério do Turismo?
Cidadã:
Obvio que sim! Tive que ler! Como esclarecer sem os equivocos sem le-los?! E como ''dar uma ajudinha''? Em 2010, eu estava, sim, na Setfor... e ouvi falar do ''Olá, Turista'', mas muito por cima e exclusivamente através do Ministerio do Turismo.
Eu:
Beleza.
Primeiramente, permita-me efetuar algumas correções ao teu comentário.
"O inglês é a língua mais falada no mundo"
Não, não é. A propósito (sem crase mesmo), a primeira é o Mandarim.
"Também é o valor que o estagiário paga para se utilizar da SETFOR como vitrine do seu trabalho no mercado, para ter a flexibilidade de horário, trabalhando meio-expediente"
Meio expediente são 4 horas, não 6.
"ninguém tem obrigação de falar a língua de ninguém, em lugar nenhum, mas a partir do momento em que uma pessoa se propõe a trabalhar com turistas, automaticamente essa pessoa deve conhecer melhor sobre a cultura de outros locais, incluindo sua língua, no intuito de melhor recebê-los e atendê-los."
Essa é uma visão muito simplista e limitada do problema, e talvez seja justamente pelo fato de as pessoas responsáveis por essa gestão terem tal visão que o problema em si nunca é resolvido. Os profissionais que lidam e vivem de turismo estão aí, trabalhando, e são bem capacitados em suas funções técnicas. O que precisam é de capacitação em idiomas e cultura internacional. Ignorá-los, substituindo-os temporariamente por estagiários, não resolve problema algum - apenas mascara-o, sem contar que não se pode querer subsituir toda uma classe que já está empregada, pois isso só elevaria os índices de desemprego.
Correções efetuadas, vamos à análise.
Meu post no blog enfatiza 3 pontos:
1) A cidade de Fortaleza tem um alto potencial turístico, mas os profissionais direta ou indiretamente ligados à área não têm, em sua grande maioria, preparo para lidar com o turista internacional;
2) Tendo o ponto 1 como premissa, o governo deveria estabelecer políticas a médio e longo prazo para a correção desta deficiência crônica, com planos de capacitação para estes profissionais de forma sustentável e efetiva, e não com medidas a curto prazo que apenas resolvem o problema pontualmente, tapando o buraco, e mascarando a real problemática;
3) Os estágios ofertados não objetivam verdadeiramente dar a oportunidade de um estudante de turismo aprender e desenvolver a prática de sua profissão, uma vez que são extremamente curtos (um ou dois meses), contam com uma carga horária desnecessária (6h em vez de 4h) justamente para se obter maior workload por menor custo, exigem que este estagiário já tenha o domínio fluente do idioma, além de serem abertos a outros cursos não relacionados ao turismo (administração, geografia etc.), uma vez que a Secretaria bem deve saber que apenas os estudantes de turismo (dos quais a grande maioria não dominam inglês ou espanhol) não seriam suficientes para a demanda da Copa.
Já estive em diversas outras capitais do Brasil e te afirmo, sem dúvidas, que Fortaleza é uma das mais despreparadas para receber o turista internacional. Nas praias, hotéis, restaurantes, aeroporto e diversas outras iniciativas, públicas ou privadas, não se dispõe de mão de obra neste ponto (o idioma!) qualificada. Em diversas outras capitais, pude visualizar iniciativas sustentáveis quanto à capacitação destes profissionais. Nada contra soluções a curto-prazo, desde que aconteçam em paralelo a uma de médio-longo prazo, que em Fortaleza nunca vi acontecer.
Sou professor de idiomas e já trabalhei indiretamente para o Ministério do Turismo no programa Olá, Turista!, como avaliador oficial do programa em Fortaleza, e posso te garantir que a efetividade do programa beirou a zero, simplesmente porque se tratava de algo muito mal criado, mal implementado e mal avaliado. Um monte de dinheiro jogado no lixo!
Quando você disse que eu deveria checar melhor os fatos antes de me pronunciar, por um momento eu realmente cheguei a pensar que você traria dezenas de informações com alto valor para o debate, que contestassem algo que eu escrevi, que abrissem os horizontes para uma nova forma de olhar este cenário. Entretanto, tudo o que você escreveu apenas contribuiu ainda mais para validar e ratificar tudo o que eu escrevera (só de birra pra não usar o particípio irregular!).
Portanto, obrigado por tua "ajudinha", pois seu pronunciamento, uma vez que vem de alguém de dentro da SETFOR, contribuiu bastante para validar e ratificar ainda mais minha análise, e mostrar o quanto realmente a visão da SETFOR é li-mi-ta-da.
segunda-feira, 3 de junho de 2013
Vagas de Estágio
Como maquiar falta de planejamento, inefetividade da estrutura turística do Estado e tapar buracos, tudo isso gastando-se uma mixaria e ainda saindo bem na fita por estar oferecendo vagas de estágio?
A Secretaria de Turismo de Fortaleza ensina:
http://g1.globo.com/ceara/noticia/2013/06/iniciada-selecao-de-estagiarios-para-copa-das-confederacoes-no-ceara.html
Nos últimos anos, o turismo internacional em Fortaleza vem crescendo significativamente, e nada, ou quase nada, tem sido feito pelo poder público (municipal e estadual) no sentido de se preparar uma estrutura interna para a boa recepção de visitantes de outros países durante sua estadia no Estado.
A Língua Portuguesa não é das mais simples de se aprender, e sabemos bem disso. Turistas que vêm passar alguns dias ou semanas por aqui não vão aprender português para vir. É fato que a Língua Inglesa é, comumente, a preferida para a comunicação turística, não somente por sua facilidade intrínseca, mas ainda pela globalização tecnológica e cultural que a leva a um patamar de acessibilidade incomparável. O setor turístico fortalezense e cearense como um todo é um nicho ainda subexplorado, cabendo ao poder público preparar estrutura e logística para absorver o que é possível desse potencial de que dispomos.
Há um bom tempo já se sabia que sediaríamos a copa das confederações, e houve tempo mais que hábil para se desenhar e implementar um projeto que visasse à preparação do setor turístico local. Nada de efeito foi feito no sentido de se preparar os profissionais que lidam direta ou indiretamente com o turismo - taxistas, garçons, policiais, recepcionistas de hotel, atendentes de lojas, dentre outros. Nem mesmo no Aeroporto INTERNACIONAL Pinto Martins é possível se estabelecer comunicação em inglês com facilidade.
Preparar a médio-prazo profissionais ligados ao turismo não é uma tarefa utópica. É simples; basta um bom planejamento. Cada tipo de profissional só precisa aprender a se comunicar no idioma estrangeiro dentro daquele contexto em que trabalha, nível este que pode ser facilmente atingido com alguns meses de carga horária presencial, aplicando-se um bom método customizado.
O governo preferiu esperar o tempo passar, como geralmente faz, até que não houvesse mais tempo de se aplicar uma solução efetivamente sustentável. Assim, partir-se-ia para o Plano B. Um Plano B poderia ser contratar profissionais de outras áreas, já experientes com o uso do idioma, para intermediar a comunicação ou, em alguns casos, até mesmo substituir o profissional fixo. Mas profissionais bilíngues são caros...
Logo, o que se faz?
Ofertam-se vagas de ESTÁGIO!
Covenhamos que se pode exigir quase que a mesma qualidade - que, muitas vezes, acaba até mesmo sendo superior - por um valor que pode chegar a ser dezenas de vezes menor. Afinal, estagiário pode trabalhar 30 horas por semana para ganhar 750 reais por mês, valor este que não pagaria sequer míseras 15 horas de trabalho de um profissional bilíngue contratado temporariamente. Há de se atentar, ainda, que este estágio não visa a desenvolver o inglês do estagiário, visto que fluência no idioma é pré-requisito para a seleção.
Desta maneira, o serviço acontecerá perfeitamente, para gringo nenhum colocar defeito.
Os profissionais reais do turismo, que deveriam estar em pauta, são escondidos e vão temporariamente a escanteio, continuando sem receber capacitação.
Resolve-se o problema pontualmente e depois se pensa em uma solução mais efetiva para a Copa do ano que vem; ou... apenas se espera chegar o mês de maio e se promovem mais VAGAS DE ESTÁGIO.
Mande já o seu CV!
A Secretaria de Turismo de Fortaleza ensina:
http://g1.globo.com/ceara/noticia/2013/06/iniciada-selecao-de-estagiarios-para-copa-das-confederacoes-no-ceara.html
Nos últimos anos, o turismo internacional em Fortaleza vem crescendo significativamente, e nada, ou quase nada, tem sido feito pelo poder público (municipal e estadual) no sentido de se preparar uma estrutura interna para a boa recepção de visitantes de outros países durante sua estadia no Estado.
A Língua Portuguesa não é das mais simples de se aprender, e sabemos bem disso. Turistas que vêm passar alguns dias ou semanas por aqui não vão aprender português para vir. É fato que a Língua Inglesa é, comumente, a preferida para a comunicação turística, não somente por sua facilidade intrínseca, mas ainda pela globalização tecnológica e cultural que a leva a um patamar de acessibilidade incomparável. O setor turístico fortalezense e cearense como um todo é um nicho ainda subexplorado, cabendo ao poder público preparar estrutura e logística para absorver o que é possível desse potencial de que dispomos.
Há um bom tempo já se sabia que sediaríamos a copa das confederações, e houve tempo mais que hábil para se desenhar e implementar um projeto que visasse à preparação do setor turístico local. Nada de efeito foi feito no sentido de se preparar os profissionais que lidam direta ou indiretamente com o turismo - taxistas, garçons, policiais, recepcionistas de hotel, atendentes de lojas, dentre outros. Nem mesmo no Aeroporto INTERNACIONAL Pinto Martins é possível se estabelecer comunicação em inglês com facilidade.
Preparar a médio-prazo profissionais ligados ao turismo não é uma tarefa utópica. É simples; basta um bom planejamento. Cada tipo de profissional só precisa aprender a se comunicar no idioma estrangeiro dentro daquele contexto em que trabalha, nível este que pode ser facilmente atingido com alguns meses de carga horária presencial, aplicando-se um bom método customizado.
O governo preferiu esperar o tempo passar, como geralmente faz, até que não houvesse mais tempo de se aplicar uma solução efetivamente sustentável. Assim, partir-se-ia para o Plano B. Um Plano B poderia ser contratar profissionais de outras áreas, já experientes com o uso do idioma, para intermediar a comunicação ou, em alguns casos, até mesmo substituir o profissional fixo. Mas profissionais bilíngues são caros...
Logo, o que se faz?
Ofertam-se vagas de ESTÁGIO!
Covenhamos que se pode exigir quase que a mesma qualidade - que, muitas vezes, acaba até mesmo sendo superior - por um valor que pode chegar a ser dezenas de vezes menor. Afinal, estagiário pode trabalhar 30 horas por semana para ganhar 750 reais por mês, valor este que não pagaria sequer míseras 15 horas de trabalho de um profissional bilíngue contratado temporariamente. Há de se atentar, ainda, que este estágio não visa a desenvolver o inglês do estagiário, visto que fluência no idioma é pré-requisito para a seleção.
Desta maneira, o serviço acontecerá perfeitamente, para gringo nenhum colocar defeito.
Os profissionais reais do turismo, que deveriam estar em pauta, são escondidos e vão temporariamente a escanteio, continuando sem receber capacitação.
Resolve-se o problema pontualmente e depois se pensa em uma solução mais efetiva para a Copa do ano que vem; ou... apenas se espera chegar o mês de maio e se promovem mais VAGAS DE ESTÁGIO.
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