Não sou diferente e estou sempre buscando agir de forma mais sustentável. Entretanto, algo deve ficar claro na mente de qualquer pessoa que tenha tais propósitos. Sustentabilidade não é um fim; é um meio. O fim é o que se quer fazer, e o meio é como fazê-lo - que pode ser de um modo mais sustentável. É o que chamamos na Computação e em outras áreas da Ciência de "otimização". Isto é, otimizar todas as variáveis envolvidas, maximizando-se algumas e minimizando-se outras, dependendo de cada contexto. Variáveis são recursos, e recursos dispensam apresentação - sem esquecer que tempo também é um recurso.
Qualquer propaganda neste contexto, quando bem feita, dispensa exageros, pois a razão já é o suficiente para convencer quem tem um mínimo de bom senso e discernimento. E então me deparo com a imagem abaixo, postada em rede social por uma amiga de Fortaleza:

O leve toque de sensacionalismo acima é dispensável. Utilizar 60 carros para comportar 60 pessoas parece um tanto exagerado, uma vez que um carro padrão tem capacidade para 5 e, embora a grande maioria não se locomova em plena lotação, a média também não chega a ser de apenas 1.
Deixando um pouco de lado este detalhe, a imagem, de fato, traz uma certa reflexão. Que sustentável que é o transporte público, quanto à otimização de vários recursos, tais como combustível consumido e liberado na atmosfera, espaço físico ocupado nas vias públicas, dentro outros. Mas isso quando tal sistema é efetivo (= eficaz + eficiente).

O Brasil não é a Alemanha. Fortaleza não é Muenster, e menos ainda está perto de ser Berlim.
Neste ano de 2012, os alemães comemoram (pasme!) 110 anos do primeiro metrô de Berlim, construído em poucos anos no início do século passado, enquanto nós, há décadas - e em pleno século 21, pleiteamos nosso primeiro. Até alguns anos atrás, ninguém sabia ao certo quando a tal obra ficaria pronta, embora agora já saibamos: certamente terá uma parte pronta antes da Copa de 2014, afinal a demanda do exterior é (sic!) sempre muuuuito mais importante que a demanda dos cidadãos locais, ainda mais em uma cidade e em um Estado onde o foco em questões bem básicas, como educação e saúde pública, é embaçado por festas milionárias (pão e circo feelings) e obras de luxo cinematográficas. Ora, tirar foto por aqui é a prioridade.
Na Alemanha, o sistema de transporte público, tanto de metrô, quanto dos similares a ônibus (os vários *-Bahn), funciona! Há quantidade suficiente para não transformar o transporte em um caos Paranjana-like (Deus o tenha!); há horários respeitados para que as pessoas possam confiar sua chegada aos compromissos ao transporte; e nem de trocador eles precisam, porque as pessoas geralmente pagam mesmo sem serem cobradas (testa isso aqui...).
Quando o bendito Metrofor finalmente ficar pronto, não se sabe ao certo quanto ao seu impacto. As linhas (que ficarão prontas até 2025) até que são abrangentes, mas não consegui encontrar informações sobre a quantidade de trens que serão disponibilizados. Se chegar perto da efetividade do metrô de São Paulo, que não apenas cobre quase que a imensa cidade por inteiro como sua oferta supre quase que tranquilamente a demanda, já será um bom começo.
Bicicleta em Fortaleza?

Neste ano de 2012, os alemães comemoram (pasme!) 110 anos do primeiro metrô de Berlim, construído em poucos anos no início do século passado, enquanto nós, há décadas - e em pleno século 21, pleiteamos nosso primeiro. Até alguns anos atrás, ninguém sabia ao certo quando a tal obra ficaria pronta, embora agora já saibamos: certamente terá uma parte pronta antes da Copa de 2014, afinal a demanda do exterior é (sic!) sempre muuuuito mais importante que a demanda dos cidadãos locais, ainda mais em uma cidade e em um Estado onde o foco em questões bem básicas, como educação e saúde pública, é embaçado por festas milionárias (pão e circo feelings) e obras de luxo cinematográficas. Ora, tirar foto por aqui é a prioridade.
Na Alemanha, o sistema de transporte público, tanto de metrô, quanto dos similares a ônibus (os vários *-Bahn), funciona! Há quantidade suficiente para não transformar o transporte em um caos Paranjana-like (Deus o tenha!); há horários respeitados para que as pessoas possam confiar sua chegada aos compromissos ao transporte; e nem de trocador eles precisam, porque as pessoas geralmente pagam mesmo sem serem cobradas (testa isso aqui...).
Quando o bendito Metrofor finalmente ficar pronto, não se sabe ao certo quanto ao seu impacto. As linhas (que ficarão prontas até 2025) até que são abrangentes, mas não consegui encontrar informações sobre a quantidade de trens que serão disponibilizados. Se chegar perto da efetividade do metrô de São Paulo, que não apenas cobre quase que a imensa cidade por inteiro como sua oferta supre quase que tranquilamente a demanda, já será um bom começo.
Bicicleta em Fortaleza?

Haja coragem! Apenas em se sendo muito crente na proteção divina e lhe entregando sua vida integralmente - aqui não temos a menor estrutura! Em Belo Horizonte, pude observar que a maioria das grandes avenidas, pelo menos, possuem ciclovias bem estruturadas - além de a cidade ter um cuidado e atenção especiais com sua flora (comentário desfocado, but still worth mentioning). Quem sabe um dia, quando vier (sic!) algum campeonato mundial de bike (afinal demanda local não conta!), comecemos então a nos preparar para as bicicletas.
Na Alemanha os limites de velocidade das vias são consideravelmente superiores aos daqui, muitas delas sequer possuindo um limite estabelecido - fica a seu critério. Repito, sie können! As estradas deles não são feitas de açucar cristal como as daqui - produto de obras superfaturadas e licitações suspeitas altamente insustentáveis com o único objetivo de tornar mais frequente a necessidade de manutenção. Além disso, os alemães são, em maioria, cidadãos conscientes que não precisam seguir um twitter @LeiSecaMuenster para poder dirigir seus veículos embriagados. A maioria deles não saem com seu Audi brincando de Top Gear pelas estradas, como o amigo abaixo: http://www.youtube.com/watch?v=SMwfM83XGF0
Também não precisam de um aviso com fonte 500 na estrada, alguns metros antes do próximo "cabeção", para lhes avisar: Sorria, você está sendo filmado - Freie, senão será fotografado (vide post anterior "Teste psicotécnico").
Enfim, enquanto mantivermos um pezinho atolado no submundo da inconsciência, da corrupção, e da conformidade com tudo o que nossos poderes públicos fazem, não fazem e desfazem; enquanto não assumirmos nosso papel de atores da sociedade, não consigo convencer ninguém por aqui a largar seu carro. Faltam argumentos.
"O povo não deve temer seu Estado. O Estado deve temer seu povo."
Minha impressão é que, quando se ouve isso por aqui, a reação é: "oi?"
Na Alemanha os limites de velocidade das vias são consideravelmente superiores aos daqui, muitas delas sequer possuindo um limite estabelecido - fica a seu critério. Repito, sie können! As estradas deles não são feitas de açucar cristal como as daqui - produto de obras superfaturadas e licitações suspeitas altamente insustentáveis com o único objetivo de tornar mais frequente a necessidade de manutenção. Além disso, os alemães são, em maioria, cidadãos conscientes que não precisam seguir um twitter @LeiSecaMuenster para poder dirigir seus veículos embriagados. A maioria deles não saem com seu Audi brincando de Top Gear pelas estradas, como o amigo abaixo: http://www.youtube.com/watch?v=SMwfM83XGF0
Também não precisam de um aviso com fonte 500 na estrada, alguns metros antes do próximo "cabeção", para lhes avisar: Sorria, você está sendo filmado - Freie, senão será fotografado (vide post anterior "Teste psicotécnico").
Enfim, enquanto mantivermos um pezinho atolado no submundo da inconsciência, da corrupção, e da conformidade com tudo o que nossos poderes públicos fazem, não fazem e desfazem; enquanto não assumirmos nosso papel de atores da sociedade, não consigo convencer ninguém por aqui a largar seu carro. Faltam argumentos.
"O povo não deve temer seu Estado. O Estado deve temer seu povo."
Minha impressão é que, quando se ouve isso por aqui, a reação é: "oi?"